Racismo estrutural

08/04/2020


Quando o tema é racismo, inicialmente, tendemos a associá-lo ao ato de discriminação. Se perguntássemos às pessoas o que ele seria, certamente, encontraríamos respostas como "quando se chama a pessoa negra de macaco", "quando se proíbe os negros de frequentar determinados lugares" ou "quando tratamos pessoas negras de uma maneira desrespeitosa, única e exclusivamente pela cor da sua pele". De fato, há a regulação desse "racismo popular" na Lei nº 7.716 que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. No entanto, o racismo não pode ser lido tão somente como uma ação individual. Segundo Silvio de Almeida, em seu livro Racismo Estrutural, o racismo é um processo histórico e político. As ações citadas acima, bem como aquelas descritas na lei, são apenas resultados de uma estrutura complexa de racialização.
Nesse sentido, sendo a sociedade construída e estratificada por raças, o autor aponta três concepções de racismo: o individualista, o institucional e o estrutural. O primeiro está ligado à subjetividade, ou seja, ao comportamento de cada indivíduo. O segundo, é aquele racismo presente nas instituições que ditam os modos de organização e orientação de uma sociedade. Por fim, o racismo estrutural seria aquele decorrente da própria estrutura social. Isto é, os comportamentos racistas individuais e os institucionais, que apesar de autônomos e independentes entre si, estão intimamente interligados e compõem a estrutura social brasileira. "O racismo se expressa concretamente como desigualdade política, econômica e jurídica. Pensar o racismo como parte da estrutura não retira a responsabilidade individual sobre a prática de condutas racistas. Pelo contrário, entender que o racismo é estrutural e, não um ato isolado de um indivíduo ou de um grupo, nos torna ainda mais responsáveis pelo combate ao racismo e aos racistas". (ALMEIDA, Silvio. 2019)