O Feminismo é para todo mundo

04/04/2020

"Cheguei ao pensamento feminista desafiando a dominação masculina em nosso lar patriarcal. Mas simplesmente ser vítima de um sistema explorador e opressor e até mesmo resistir a ele não significa que entendemos por que ele existe ou como mudá-lo." Esse é um trecho tirado do 2° capítulo do livro: O Feminismo é para todo mundo - políticas arrebatadoras. A escolha deste livro logo após o "Ensinando a Transgredir..." foi feita estrategicamente, já que no livro anterior existem capítulos que abordam o trato com a teoria feminista como uma prática para emancipação.
No livro de hoje, hooks fala sobre teoria feminista, racismo, diferenças de classes econômicas e a inclusão do homem à luta feminista.
No breve capítulo sobre como o feminismo trata a questão racial (que é breve apenas neste livro, porque existem outros produções como "Eu não sou uma mulher?" e vários capítulos em "Olhares Negros" que falam apenas dessa relação), a autora afirma que as mulheres brancas priorizam o gênero em seus debates e usam do termo "sororidade" para tomar protagonismo e fazer com que as mulheres não-brancas se sintam convocadas a aderir ao movimento.
A autora ainda critica como mulheres brancas sempre invocam a "sororidade" quando são criticadas por serem racistas e se recusarem a abrir os olhos para o debate racial. Ela diz que o objetivo da critica ao termo não é para esvaziar seu sentido, mas para que exista uma prática real dele em meios feministas, o que não é possível se o debate sobre raça é ignorado.
O livro traz um capítulo chamado "Masculinidade Feminista", no qual a autora defende que homens podem e devem integrar o movimento para destruição do patriarcado, porque o patriarcado também o prejudica e degenera suas relações sociais. Além disso, a autora afirma que as militantes feministas que pregam a rejeição aos homens recusam-se a olhar para os laços de carinho, econômicos (positivos ou negativos) e emocionais que outras mulheres têm com homens.
Este é um livro didático e simples, que pode ser lido em uma tarde. Possui vários debates interessantes e polêmicos. E aí? O que você acha?