O Caçador Cibernético da rua 13

11/07/2020

"Já os fantasmas e ancestrais familiares estavam por toda parte, da menor à maior folha de árvore, no menor parafuso ao maior dos prédios, se agitando no interior de toda tecnologia de Ketu Três: carros voadores, trens fantasmas, telefones psíquicos, computadores e tablets que dava acesso à teia espiritual."

O trecho acima que se encontra na página 22 do livro "O Caçador Cibernético da Rua 13", escrito por Fábio Kabral (@ka_bral) e publicado pela @editoramale, descreve como era a cidade de Ketu Três, aonde se passa a história protagonizada por João Arolê, um personagem fascinante em constante busca do reencontro consigo mesmo.

O enredo afrofuturista construído por Kabral é recheado de ação, suspense, afeto e reflexões sobre nós mesmos no mundo. A ancestralidade abençoa e zela por todos os habitantes de Ketu Três e o maior poder que as pessoas possuem na história, é o poder da sabedoria adquirida pela experiência. Dessa maneira, a reverência aos mais velhos, em plano ancestral ou físico, - sobretudo àqueles que lutaram pela expulsão dos alienígenas colonizadores - é marcante em toda narrativa.

Esta colunista que vos escreve é disléxica e isso faz com que ler nem sempre é seja experiência prazerosa. Entretanto, ler "O Caçador Cibernético da Rua 13" me fez resgatar de qual é a sensação de ler por prazer, a sensação de abrir um livro, não perceber as horas passarem e continuar lendo, madrugada a dentro, por ansiar pelos desfechos dos conflitos.

A dica da coluna literária de hoje é para todos os públicos, do mais jovem ao mais velho, mas é imprescindível para os jovens negros. A descrição física dos personagens é um espelho de nós mesmos; a descrição psicológica, uma meta no horizonte. Eu não tenho dúvidas de que os ancestrais também abençoam e zelam pela escrita de Kabral. Estou ansiosa para ler "Cientista Guerreira do Facão Furioso" e vir aqui contar para vocês!