Não ele não está

18/05/2020

"Eu não sei afirmar qual foi o exato momento em que decidi escrever sobre o extermínio da juventude negra, mas seu dizer o dia que eu tinha certeza que esse era o tema da minha pesquisa: no dia 2 de abril de 2015, Eduardo de Jesus Ferreira, de 10 anos, foi morto na porta de casa, no Complexo do Alemão (Zona Norte do RJ). De acordo com a reportagem da época, o laudo que deu base para o inquérito da morte da criança apontou que o policial acertou Eduardo "sem querer"."

É com esse trecho do capítulo 01 (p. 27) que lhes apresento "Não, ele não está" escrito por Maíra de Deus Brito (@jornalistabrito). O livro é fruto de sua pesquisa de mestrado em Direitos Humanos e Cidadania. Na pesquisa a autora entrevistou duas mães que perderam seus filhos na eterna guerra vivida nas comunidades do Rio de Janeiro.

Eu sei da existência desse livro desde o seu lançamento, em 2018, fui em mais de uma palestra ministrada pela autora na qual ela falou do livro e de sua pesquisa, e a medida em que meu interesse pela leitura desta aumentava, eu me questionava se conseguiria lidar com a carga emocional presente no livro.

Uma das frases ditas pela autora nas palestras que me marcou profundamente é que ao procurar por essas mães que perderam seus filhos, ela não queria dar voz a essas mulheres, porque elas já têm voz. O que ela buscava era amplificar essas vozes por meio de sua pesquisa.

Esse ano rompi meu receio e comprei o livro. Foi uma das decisões acertadas desse ano! A escrita de Maíra é leve e fluída. Nos capítulos, os quais os títulos fazem alusão à literatura brasileira, é possível sentir toda a sensibilidade do tema pesquisado.

Não existe forma de transpor nestas poucas linhas todas as sensações provocadas pela leitura de "Não, ele não está", mas se você quiser sentir o mesmo que eu e aprofundar o debate a respeito do genocídio da juventude negra: @nao.ele_nao_esta