Angustias da quarentena

19/05/2020

Estamos morrendo 5X mais. Quão ampliados podem ser os efeitos de uma pandemia mundial em espaços onde a desigualdade social está instalada? Há alguns dias a @agenciamural compartilhou os dados alarmantes que de o COVID-19 mata cinco vezes mais nas periferias.
Colocando tudo em perspectiva, como poderia ser diferente? Temos ao mesmo tempo mais problemas sanitários e de aglomeração, dificuldade em circular informações corretas e menos acesso a tecnologias médicas e recursos para nos manter exclusivamente em casa por tempo estendido. Os nossos precisam sair para o trabalho. Os jantares se servem ao fim do dia com o dinheiro que foi adquirido mais cedo no dia de trabalho como diarista, camelô, vendedor de porta em porta, nas carrocinhas de milho e pipoca e nas entregas mal pagas em aplicativos de delivery. Pare por um minuto para dimensionar o tamanho do impacto psicológico que isso tem sob você. Estamos convivendo com o medo do contágio, que é uma ameaça real, e depois com o medo da morte. Nós somos novamente alvo. Por isso nestes dias está tudo bem se você estiver meio desanimado(a), preocupado (a) e ansioso (a). Os sentimentos ruins estão para a nossa mente como a dor física está para o nosso corpo, servem de alerta para prestarmos atenção em necessidades psicológicas que não estão sendo atendidas.
Se o amparo te faltou, se a solidão tem sido presente, se a saudade dos queridos tem sido difícil de encarar é absolutamente normal se sentir triste. Aceitar nossos sentimentos negativos é nos colocar na sublime posição de humanidade e poder daí construir novos sentidos. Essa reflexão é um convite para você se cobrar menos produtividade e disposição, tirar um tempo para entender o que está sentindo e ser mais gentil com você mesmo.
Lembre: Sentimentos ruins fazem parte da nossa vida, mas se perceber que eles duram tempo demais e te atrapalham com outras atividades procure ajuda e orientação profissional com um psicólogo ou psiquiatra.