Lais Melo - Coluna 2

19/05/2020

Babu, BBB e as histórias que não se contam.
Temos falado bastante nos últimos dias sobre a jornada de Babu Santana no BBB 20.
Babu sempre se impôs lá dentro. Talvez isso tenha a ver com a personalidade dele. Fez isso ao colocar limites nas relações, ao pontuar seus incômodos na cozinha, ao comunicar que ficava desconfortável com alguns comportamentos, e até aí tudo bem, todos os participantes do BBB também comunicam desejos e incômodos, certo? Errado! Babu foi lido como uma pessoa agressiva e monstruosa, foi preterido na formação das alianças e indicado a 8 paredões (escolha dos participantes de quem acreditam que deve deixar o programa). Vivenciou uma solidão que se apresentava em sutilezas gritantes, como o fato dele personificar um objeto da casa (almofada) a quem deu o nome de Wilson e com quem teve algumas conversas. É importante ler as entrelinhas dessa história e captar "um algo a mais" não enunciado, mas presente nas tramas das histórias de cada sujeito, esse exercício é muito esclarecedor, do ponto de vista psicanalista. Qual é a história que não se conta a respeito de Babu Santana e sua participação no BBB? Quais são os pontos de convergência e divergência entre os participantes do reality? Tânia Corghi Veríssimo, uma estudiosa de psicanálise e racismo irá dizer que: O corpo alvejado pelo racismo vive uma experiência traumática porque recebe uma recusa do meio em lhe proporcionar o direito a individualidade.
Quando Babu não pode comunicar os seus desejos, vemos essa recusa à sua subjetividade se desenhar. E é por isso que aqui não precisamos citar o nome de nenhum dos brancos envolvidos sequer afirmar que o percurso de Babu até aqui é brilhante!
Apesar dos olhares racistas que recebeu dentro e fora da casa é exatamente neste contexto que ele se consagra com as máximas: "Obrigado favela" e "O Black é a coroa e o pente a libertação". Babu reafirma que a nossa própria ancestralidade é quem conta as histórias não contadas pelo pacto branco narcísico.