Esteriótipos são o início de um racismo recreativo?

19/05/2020

É perceptível o quanto parte da sociedade se infla narcisisticamente através do humor. Dentro da história, temos a Era Jim Crow nos EUA do século XX - em que o racismo havia sido institucional e a segregação racial era lei. Sem entrar em detalhes, mas pouco se discute sobre a ideia do nome destas leis, a respeito da animalização dos negros feita pelos brancos, estes que comparavam seus escravos a corvos (Crow, em inglês). O que na época unindo a teatralidade ao mau-caratismo haviam de apresentar o "típico negro" (burro, atrapalhado e mal vestido), e nos desenhos o corvo Jim Crow.
Como também, na Idade Média e os "terríveis" ciganos, "ameaça judaica" e o nazismo, animalização do continente africano e assim por diante...ideias que cristalizaram a ascensão de ideologias duvidosas sob a opressão de grupos sociais e raciais. E não é novidade para ninguém que os estereótipos sobre grupos de minorias sociais sempre gerou polêmica na história.
E ironicamente, aqui no "Paraíso das raças", a ridicularização e satirização de grupos sociais sempre foi vista como 'natural', mesmo que naturalizada. Sem dúvidas, não é novidade as piadinhas e comentários "softs" sobre traços e principalmente cor, que são nutridas por um racismo velado e também um racismo visto como RECREATIVO. Essa construção humorística tem como pauta a inferiorização da cultura/raça com um caráter discriminatório. O que diz muito sobre um país que foi colônia durante 382 anos. "Quando se herda ideias de extrema conotação racista devido a um passado em que se era colônia e não metrópole, uma considerável parcela da sociedade na contemporaneidade sofre com isso...". Citando um artigo meu chamado: "A Repressão é a ação da reação". Em síntese, os racismos, as injúrias e a bárbara discriminação diante da raça envolvendo também classe e gênero faz cair por terra o conceito criado por Gilberto Freyre sobre o Brasil ser uma " Democracia Racial" de seu livro 'Casa Grande e Senzala', em que as três raças que compunham o país viviam em extrema harmonia; ideia ovacionada até hoje por muitos conterrâneos. Por certo, os eufemismos nunca resolveram nada nesse país e ainda que paradoxal, só intensificaram a desigualdade racial.

*No livro "Racismo recreativo" da série feminismos plurais de Adilson Moreira, ele expõe claramente o que seria esse tipo de racismo, partindo da premissa de uns casos que aconteceram no sistema de justiça brasileiro e que o instigou a fazer esse livro.