Pobre precisa ser grato pelas migalhas do governo, não é?

04/04/2020

Pobre precisa ser grato pelas migalhas do governo, não é?
Numa quarentena que todos são afetados, apenas um grupo sofre, os pobres. Os que precisam não faltar o emprego, os trabalhadores informais e os trabalhadores autônomos que dependem de transporte público, que está superlotado, e sob total vulnerabilidade prestigiam a materialização do pouco caso dos patrões e do governo diante a pandemia. Já que, é mais lucrativo empregado somente como alguém que serve.
De certa forma, a 'quarentena' tem sido um dos principais métodos ditados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a não proliferação do vírus, mas a 'quarentena' serve para quem?. Existe uma sutil apartação, entre os que podem se prevenir e os que não podem e assim como "ir ao trabalho, custe o que custar" silhueta a relativa seletividade em uma medida de caráter público.
Entretanto, ainda que o Estado esteja a propor medidas, estas não seguem abrangendo toda a população. Decerto, a recomendação de "ficar em casa" e "lavar suas mãos" não contempla pobre trabalhador informal, sem dizer as casas que mal recebem água, sem saneamento básico ou com apenas um cômodo e rara circulação de vento. Diante disso, ter dinheiro para comprar o álcool em gel que aumentou até 5x o seu preço normal, lavar suas mãos com sabão, aderir ao distanciamento social, fazer cursos online e assistir lives no instagram é algo fora da realidade de alguns, e reconhecer isso é ter consciência de classe.
A quarentena possui como relação simbiótica a necessidade e o privilégio.
E o mais irônico disso tudo é, só quem vende é gente. Ainda que, os que produzem são também os que consomem, isso não prova a importância da sua existência; Só existe quem é da classe dirigente, caso você não seja, contente-se com o que o governo te propõe e fim de papo. Contudo, a história do povo brasileiro não passa de um Darwinismo - no qual, animais evoluem e a partir de uma seleção natural eles passam a se desenvolver e mudar características "falhas" da geração anterior. A Seletividade. Mas a real questão é, vai sobrar gente para se adaptar?