Cuckold e a fetichização de corpos negros

09/06/2021

Você já ouviu falar em Cuckold?

Antes de tudo quero deixar bem claro que isso não tem nada a ver com não monogâmicos e que não estou abordando sobre relações interraciais, dito isso VAMOS LÁ!

Cuckold, ou simplesmente Cuck, são termos americanos para uma mesma palavra em português. A palavra corno! Calma que vocês já vão entender só me deixa contextualizar rapidinho

Existe uma "pratica" chamada cuckolding que basicamente é o fetiche de um homem em ver sua parceira com outro homem, isso se resume apenas ao sexo.

"Alguns homens querem chegar em casa e encontrar sua parceira na cama com o outro, outros podem preferir estar presentes desde os primeiros toques. É bastante comum que o Cuckold se toque - ou seja, se masturbe - enquanto vê sua mulher tendo prazer com o outro."

Bom, cada um com seus desejos porem o problema tá quando isso envolve corpos negros, a Hipersexualização de homens e mulheres negras não é nenhuma novidade e isso extremamente explorado no Cuckolding, muitos casais procuram apenas pessoas negras para a pratica e outros vão além e fazem uma tatuagem que seria uma DAMA DE ESPADAS com a letra Q no meio "Queen os Spades"

Esse símbolo, significa que a mulher branca que o carrega tem preferências por homens negros, em quase a totalidade dos casos, é utilizado pelas parcerias dos casais envolvidos com a prática do cuckold interracial.

A popularidade é tão grande que é fácil achar na Internet camisetas, pingentes, jóias e tatuagens temporárias sendo oferecidas no mercado livre ou em lojas de sex shop. As tatuagens temporárias são normalmente utilizadas em festas de swing, onde a marca já diz a que o casal veio e dispensa pretendentes que não sejam negros

Tal "preferência sexual" está muito atrelada a estereótipos raciais que circundam o imaginário da branquitude e demarcam a diferença racial. Os estereótipos reduzem "a algumas poucas características simples e essenciais, que são representadas como fixas por natureza"

Em um contexto racial, a fetichização "é uma forma de desejo sexual na qual o prazer está baseado na objetificação da raça"

Bell Hooks no capítulo 2 do seu livro Olhares negros, raça e representação diz:

"Sem estarem atentos a determinados aspectos de suas fantasias sexuais que irrevogavelmente os unem à dominação racista coletiva, acreditam que seu desejo por contato representa uma mudança progressista nas atitudes dos brancos em relação às pessoas não brancas. Eles não veem que estão perpetuando o racismo. Para eles, o indicador mais forte dessa mudança é a franca expressão do anseio, a declaração aberta do desejo, a necessidade de ser íntimo com Outros de pele escura. O importante é ser transformado por essa convergência de prazer e Outridade. O sujeito ousa - age - na presunção de que a exploração do mundo da diferença, no corpo do Outro, fornecerá um prazer maior, mais intenso, do que qualquer prazer que exista no mundo ordinário de seu grupo racial familiar."