Estado pra quem?

19/05/2020


Ironicamente falando, a maioria já sabe quem não faz parte e quem não é contemplado pelo Estado. Estado esse que, nos torna apenas um detalhe que suja a paisagem para se europeizar, como Darcy Ribeiro menciona os indígenas em seu livro " O Povo Brasileiro". Ainda assim, é duro acreditar que, o Brasil vive sob os ideais coloniais, em um eterno "projeto formulado sem qualquer escrúpulo humanitário", que performa benevolência e resolução de todos os problemas.
E para quem é o estado? Estado este com suas medidas despóticas e com total domínio do corpo preto? Que sabe onde tem preto, pobre e o valor disso. É evidente que sempre será rentável negligenciar parte da população para uma falsa progressão do desenvolvimento. É irredutível, que quando se racializa os espaços sociais e se atende à proporções não alcançadas e atingidas da sociedade alguns perdem privilégios. O que não iria agradar a sociedade elitista brasileira que ainda vive numa pirâmide infindável escolhendo quem fica dentro da casa grande e quem fica do lado de fora junto com os cachorros. Esses que estruturam o estado?
Custa bem menos traçar raça, classe e gênero ao se tratar do Brasil do que negligenciar quem foi para as margens da cidade grande europeizada e reformada em 1904, e vive assim desde então. E restou isso: "Implantar uma europeidade adaptada nesses trópicos e encarnada nessas mestiçagens"? Por que a gente sabe quem morre e quem vive. De certa forma, as estatísticas nunca mostram e atrá da cortina os casos só se multiplicam nas comunidades, principalmente. E em meio ao contexto atual, de expansão do COVID-19, vou retomar à pergunta de um jeito diferente agora: "Quem é o Estado e para quem é o Estado ?".