Diálogos Contemporâneos sobre Homens Negros e Masculinidades

23/09/2019

"Se no imaginário social da ideologia da mestiçagem, a mulher branca é para a manutenção da brancura e a mulher negra e/ou mestiça é para o branqueamento, qual seria o lugar do homem negro? Essa perspectiva das relações entre homens e mulheres passa a ter como pano de fundo um confronto masculino por acesso a elas, e seria, em larga medida, através delas que a virilidade se confirmaria."

É com esse trecho da página 39 que inicio o meu convite à leitura de Diálogos Contemporâneos sobre Homens Negros e Masculinidades, organizado por @henriquerestier e Rolf Malungo de Souza, conta com artigos escritos por Henrique Restier, @geocaio, @veigalucas_, Bruno Silva de Santana, Osmundo Pinho, @custodta, @tagoelewa, Douglas J. G. Araújo e @airanalbino.

O livro conta com linguagem simples, possui rigores acadêmicos - para aqueles que acham que tudo é "pauta identitária" ou "sem base" - e é bastante didático. O debate sobre masculinidades tem ganhado cada vez mais espaço e a chegada de um livro como este no mercado traz luz às ideias. O livro traz relatos e estudos de homens negros de faixas etárias diferentes, cis e trans, héteros e gay.

Trazer o debate sobre masculinidades negras é de extrema relevância para entendermos que apesar de homens os homens negros não gozam os mesmos privilégios sociais que os homens brancos. Isso nos leva também a pensar que não existe apenas uma forma de masculinidade, sobre os modelos de masculinidade com os quais estamos em contato e de que maneira essas são vividas pelos homens negros.

O livro é sensacional e desta vez eu não irei apenas começar, mas também terminar com um trecho para te lembrar mais uma vez que você precisa ler ainda este ano:

"Masculinidade negra, desse modo, é um campo de debates no qual é possível estabelecer as imagens desenhadas por esses homens - e quem pensa esses homens, e quem convive ou reespelha esses homens -, mas também um campo bastante profícuo para refletir sobre como a partir desse sujeito, linhas firmes á caneta são tracejadas, tanto da subalternidade, isto é, sujeição, quanto à ideal (desenho que inspira o sonho) de poder e controle, ou seja, virilidade." (p.136)