Capitalização da auto estima

24/08/2020

Vocês já pararam para pensar que nossa autoestima é uma identidade plural. Nós somos o⁣ que consumimos. Apesar da vasta etnicidade, o material para consumo nunca foi sobre nós.⁣ Por muitos anos, precisou embranquecer para ser aceito e disso o Brasil entende bem, por⁣ exemplo no sincretismo religioso, na arte, na bossa nova, nas danças, nos penteados, nos traços negros e até mesmo nas pessoas negras - quanto mais claro, mais bem aceito⁣ socialmente.⁣⁣⁣
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Entretanto, os preceitos mudam de acordo com a demanda e os negros sempre⁣ movimentaram grana no nosso país. E ao passo que, nossa identidade foi construída⁣ socialmente e apesar da luta pela ideia do: "Black is Beautiful", nossa autoestima tem sido⁣ capitalizada. Nos adaptamos porque o mercado nunca nos contemplou, por isso⁣ carregamos as histórias de nossas receitas caseiras para os fios secos ou coloração rosada⁣⁣⁣
para a pele com tubérculos das colheitas ou fricção de carvão nas bochechas e muitas⁣ outras...Mas também, hoje está na moda a produção cultural para o negro e isso gera⁣ dinheiro. Eis a questão da estética, a representatividade vende e a minoria representada⁣ compra.⁣⁣⁣
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Contudo, a inerência da estética à comunidade negra diz respeito a sermos nossa própria⁣ referência, a termos um espaço no mercado, a sermos enxergados como consumidores ao⁣⁣⁣
comprar um produto para o nosso cabelo ou para a nossa pele. E o nosso consumo é o que⁣ nós somos, se me vejo, eu compro. Mas afinal, essa tal indústria cultural trata-se de⁣ inclusão ou manipulação?