A vida e historia da felicidade de toda mulher preta por um fio

15/06/2020

Filmes que abordam temas raciais ganham força há uns anos na Netflix. A empresa de streaming cinematográfica vem ganhando força por adotar políticas étnicas raciais cinematograficamente em algumas séries, documentários e filmes , que me chamam atenção pelos fatos reais, ora fatos que se assemelham ao real.
É o caso de Felicidade por um fio e Vida e História de Madam C.J. Walker. Uma é o fato de quase toda mulher preta ter passado e outra é o fato de poucas mulheres pretas terem passados
ou passam , mas que causa influência para mesmas, a ascensão em cenário eugênico e aristocrático .
As duas produções da Netflix têm suas particularidades. Enquanto uma , Felicidade por um fio, aborda temas como prosperidade só após casamento e competições no trabalho com homens para mostrar que é 3 vezes melhor, mesmo estar de igual para igual ou com o melhor currículo, como muitas mulheres de diferentes classes, gêneros e cores sofrem, porém a mulher preta, eu posso dizer que passa bastante, mostra o triunfo só e apenas só, se estiver com cabelo alisado , seja no trabalho ou no amor.
O contexto do cabelo alisado da mulher preta como prosperidade é ponto que intercede com a série Vida e História de Madam C.J. Walker, onde a mesma começou a sua venda de produtos nas ruas , sendo feitos em casa. Seu negócio estético capilar cresceu entre as mulheres pretas, porque inventou algo que nenhuma empresa( na verdade tinha uma concorrente na história, mas sem contar toda história) vendia produtos para cuidados do cabelo cacehados e crespos. Foi ela, na história real, que inventou o pente quente, para alisar os cabelos . Tudo bem que é uma ferramenta que causou estragos aos cabelos, a mente e talvez a almas, pois ficavam presas a elas, mas é inegável que a Madam Walker foi a primeira milionária negra da história da sociedade (capitalista).
O que me deixa mais intrigada é que nas duas produções abordam exatamente o fato de viver preso aos cuidados do cabelo, agora não visto mais como cuidados e, sim, como ditadura. Onde, segundo Bell Hooks, para sermos aceitas como mulheres, precisávamos entrar num padrão branco e assim poderíamos talvez sermos alguém, um ser humano, para que pudéssemos pedir algo que gostaríamos ou debater o que sabíamos de igual para igual. O cabelo alisado e longos por muito tempo foi visto como o símbolo para que pudéssemos ser sensual e/ou aceita no mercado de trabalho. Isso faz com que , nós mulheres, nos sentíssemos ( sentimos, porque ainda há esse preconceito) preterida.
Ter que trabalhar o auto estima segundo esse contexto enbraquecido é doloroso, já que temos que lutar para sermos aceitas do jeito que somos e o que fazemos querendo cacheado, crespo ou alisado e também nossas qualidades. Lembrando que, também não devemos diminuir uma mulher preta que deseja alisar ou alisa seus cabelos, mas que lembre que sua raiz de origem nunca a deixará e isso é o que a torna forte.